Para efeito de entendimento:


Paulo = meu pai.
Marisa = minha mãe.
Eduardo = meu irmão.
Lili = minha cachorra.
Lola = minha empregada.
Bê = minha melhor amiga.
Cal = minha única amiga da faculdade.

Eu faço faculdade de Direito.


Nomes posteriormente citados, serão posteriormente explicados.

Todos os nomes foram trocados.


sábado, 15 de maio de 2010

Dia 15 de Maio

Hoje eu estava pronta pra ir pra bateria, até a hora que fui pentear essa bosta desse cabelo, e colocar uma tiara, pra parecer que ele não é tão feio quanto realmente é, mas essa merda não ficava boa nunca! Tive um ataque de nervos, e eu já tava atrasada, e ia de trólebus. Porque, afinal, meu pai, que estava Á TOA em casa é que não ia me levar, né. Mas ele subiu e resolveu que ia usar meu computador, e perguntou o que tava acontecendo que eu estava penteando o cabelo e começava a reclamar. Falei que não era nada, e desci pra ir me arrumar no espelho lá de baixo. Estava MUITO atrasada. Dei um jeito que meu cabelo ficou menos pior, e comecei a passar a maquiagem. Quando terminei o corretivo, me dei conta que por mais que eu passasse, não ia sumir aquelas olheiras. Aí sim, tive um ataque de nervos. Joguei tudo longe e comecei a chorar descontroladamente. Pro meu pai não ouvir, fui sentar na escada da garagem, com a Lili. Chorei muito, a dor que eu sentia era indescritível, a tristeza então... Nem se fala.
Mas o problema foi que meu pai ouviu, e desceu lá, foi na escada, onde eu estava, gritando já:
-O QUE É, SUZANE? PORQUE VOCÊ ESTÁ CHORANDO? VOCÊ ESTÁ PENTEANDO O CABELO E DE REPENTE COMEÇA A XINGAR, QUAL O PROBLEMA, SEU CABELO?
-NÃO, ME DEIXA EM PAZ! - Eu também gritava. Sentia medo, de certa forma.
-ENTÃO O QUE QUE É?
-NÃO É NADA, ME DEIXA EM PAZ!
-SE NÃO É NADA, É FRECURA! TÁ TODO MUNDO PREOCUPADO COM UMA COISA E VOCÊ FICA COM ESSAS FRESCURAS! ISSO SÓ ATRAPALHA A GENTE! - E foi pra dentro de novo.
Eu parei de chorar imediatamente. Mas fiquei lá ainda, tentando enterrar minha tristeza dentro de mim silenciosamente. De repente, na verdade, outra coisa tomou minha cabeça. Eu atrapalho, eu sou um estorvo. E não tenho nem o direito de ficar triste.
Quando me acalmei, voltei pra dentro e peguei minhas coisas.
-Você não vai na bateria? - Perguntou meu pai.
-Não. - Respondi, já subindo pro quarto. Isso me deixava um pouco irritada, já que ir na bateria era a unica coisa que eu ainda gostava um pouco. Mas foda-se.
Coloquei o pijama e voltei pra cama.

---X---

E daí que eu menti e falei que o problema não era meu cabelo quando na verdae era sim? DO QUE IA ADIANTAR EU FALAR A VERDADE? Ele ia me mandar cortar o cabelo? Ai já ia tá grande e horrível quando eu fosse viajar, eu ia querer cortar de novo, e não ia poder! Porque afinal a única coisa que eu ouço é que não tem dinheiro e que precisa economizar! EU TO DE SACO CHEIO DE SEMPRE TER QUE ESPERAR PRA FAZER AS COISAS, DE SEMPRE TER QUE COMPRAR ONDE É MAIS BARATO, DE NÃO PODER TER O QUE EU QUERO PORQUE 'TEM QUE ECONOMIZAR'! ISSO É MENTIRA, PORQUE PRO EDUARDO SEMPRE TEM DINHEIRO PRA COMPRAR AS COISINHAS DE MARCA DELE!

Sem contar que eu também já to de saco cheio de não ter o direito de nem de ficar triste! QUE MERDA É ESSA? SE EU ATRAPALHO TANTO, PORQUE NÃO SE LIVRAM DE MIM LOGO? QUE SACO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Pode deixar, mais dia, menos dia, eu vou me livrar de mim mesma por vocês.

filhos da pulta.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Ainda dia 14...

Voltei pra casa a pouco. Fui a padaria depois do inglês, já que aquela vaca daquela cabeleireira marcou meu horário errado. Eu ia ter que esperar uma hora, e não ia ficar lá esperando, ouvindo aquelas cobras fofocarem de todas as clientes delas (fico imaginando o que falam de mim quando não estou lá), e muito menos ia voltar pra casa. Então fui até a padaria, tomei um vanila e comi um pedaço de bolo de cenoura com chocolate. Mas a hora que eu coloquei o último pedaço de bolo na boca comecei a sentir um enjôo tão grande, que a hora que estava voltando pra cabeleireira achei que ia precisar parar em algum matinho e vomitar. Passei muito mal mesmo. Fiz as unhas e tirei a sobrancelha, e tive que aturar aquela manicure enchendo meu saco, pedindo roupas pra ela colocar no bazar beneficente dela. Bazar que eu tenho quase certeza que é mentira! ¬¬
Depois, minha mãe me ligou quando eu estava começando a fazer a unha, falando que estava saindo naquela hora do trabalho e que ia me pegar. Até a hora que terminei ela ainda não tinha chegado, e o trabalho dela não é tão longe. Aí liguei lá e adivinha? Ela ainda nem tinha saído! E mandou eu esperar que ela ia sair 'já, já' e me pegava. Ou seja, fiquei esperando horas, porque ela pegou trânsito também e tudo o mais. Eu queria saber pra que que ela faz isso. Pra que que ela fala que já está saindo e não sai. Pra que que ela fala que vai me buscar. Eu tenho certeza que é só pra me irritar. Ela fica falando que não quer que eu ande por aí soznha a noite, mas é MENTIRA! ELA NEM LIGA SE ACONTECER ALGO COMIGO, ELA GOSTA MESMO É DE ME IRRITAR!
E, além do mais, o que de ruim pode acontecer comigo? Eu ser assaltada? O ladrão ia sair no prejuízo, porque eu não tenho absolutamente NADA de valor. Ser estuprada? É capaz de estupradores fugirem de mim de medo de tão feia que sou! Ser sequestrada? Então eu ia morrer no cativeiro, porque meus pais é que não iam gas tar dinheiro com o MEU resgate.
Já se fosse o Eduardo, aí era capaz de eles assaltarem um banco até.
Eu sinto que meus pais não me amam mais, e isso doi muito.

---X---

Postei as duas cartas que escrevi hoje na aula, e estou desde a hora que cheguei aqui, pensando em enfiar uma faca nos meus pulsos.

Estou cansada.

Carta Nº 2

Eu estou tão cansada. Cada dia se torna mais pesaroso para mim. A dor me consome por inteira. Acordar cada dia e descobrir que vou ter que viver denovo, e denovo, e denovo é uma tortura.
É difícil para mim ser rejeitada dessa forma e ser sempre a errada. É difícil para mim estar sozinha e ter as pessoas que amo brigando comigo a todo momento. É difícil não ter ninguém, e as poucas vezes que tento me abrir, brigarem e gritarem comigo. É difícil quando ninguém te ama, nem sua família, e você sabe que o errado é você, que você não é merecedor de amor, por ser feio, gordo, burro e inútil, por ser preguiçoso.
Estou excessivamente cansada e dolorida, e já não vejo mais formas de melhorar.
É muito difícil quando te julgam sem nem ao menos poder compreender sua dor.
Só há um meio de acabar com isso, só uma saída, e é por ela que vou embora.

Carta Nº 1

Vocês estão certos, eu estou errada. Eu sou sempre a errada. Me desculpem por ser essa menina preguiçosa e mal agradecida. Eu prometo que em breve tudo isso vai acabar, eu vou acabar com tudo. E vocês vão estar livres para viver uma vida feliz com o Eduardo.
Me desculpem por ter feito vocês gastarem tanto, por ser tão desagradável, por ser um estorvo, por ter sido uma perda de tempo tão grande. Me desculpem por ter nascido.
Eu realmente espero que vocês consigam superar seus problemas e que sejam riquissimamente abençoados e muito felizes. Que consigam reconstituir tudo o que perderam comigo, tanto material quanto emocionalmente.
Me desculpem por tudo, de verdade.

Dia 14 de Maio

Ontem tava tudo indo bem, fui ao endócrino e emagreci 2 kg. Fiquei meio triste porque esperava emagrecer mais, mas é melhor que nada. Estava apreensiva porque achava que ele ia mandar eu parar de tomar Sibultramina, mas ele não mandou. UFA!
Depois, quando saimos do médico, fomos a padaria tomar café, a banca, onde ela me comprou uma revista de quartos*, e ao supermercado.
Quando voltamos pra casa, meus pais ficaram conversando na czinha e eu jogando no celular da minha mãe. Depois a minha tia e minha vó ligaram pra falar com ela, e meu pai foi buscar o Eduardo no teatro.
Até que, quando ele voltou, me pediu um favor.
-Suzane, você não quer levar o celular do Eduardo na assistência técnica?
Ele me pediu isso porque a assistência técnica fica MUITO perto da minha faculdade. Mas eu não queria. Primeiro, porque não queri fazer favor nenhum pro meu irmão, e segundo porque ia perder muito tempo lá.
Minha primeira resposta foi: Não vou fazer favor pro Eduardo.
Mas ele rebateu: O celular é do Eduardo. O favor é pra mim.
E a segunda resposta foi: Não vou ficar mil anos lá!
Que foi rebatida também: Você não precisa ficar mil anos lá, Suzane. Você vai e pega a senha. Se sua senha for 140 e estiver chamando 137, você fica. Se for 140 e estiver chamando 130, você vai embora.
Acabei cedendo, já que não tinha mais argumentos.
-Tudo bem, eu levo o celular lá, mas sabe porque eu não queria levar? Porque...
Nesse momento meu pai perdeu o controle. Empurrou a cadeira pra trás fazendo barulho e levantou bruscamente, me assustando e me fazendo parar de falar. Começou a gritar, já indo pra sala.
-TUDO BEM, SUZANE! PODE DEIXAR! PODE DEIXAR, EU LEVO O CELULAR LÁ! EU JÁ FALEI QUE O CELULAR É DO EDUARDO MAS O FAVOR É PRA MIM!
-Mas eu falei que vou levar! - Disse, tentando faze-lo parar. Eu estava com medo, de certa forma.
-NÃO, NÃO! PODE DEIXAR QUE EU LEVO! VOCÊ VAI VER QUANDO VOCÊ ME PEDIR ALGUMA COISA! VOCÊ NÃO FAZ UM FAVOR PRA GENTE NEM QUE MATE! DEIXA VOCÊ ME PEDIR ALGUMA COISA! NÃO ME PEÇA MAIS NADA!
E foi pra lá. Voltei a jogar o jogo no celular, fingindo que não me importava. Mas já não prestava mais atenção, me concentrava em conter minhas lágrimas, não deixando escapa-las, muito embora algumas já tivessem fugido.
Foi então que minha mãe, com um copo de leite, sentou na minha frente. E destruiu qualquer coisa que ainda podia restar inteira dentro de mim.
-Você podia ter ido lá. Fica do lado da sua faculdade. O seu pai tem que ir na hora do almoço, perder o almoço, ir correndo. Custa você ir quando sair da aula? Você não faz um favor pra gente.
Meu esforço se tornara inutil. Agora as lágrimas caiam, e minha garganta doía com a força que eu fazia para não vir mais choro. Mas não adiantava.
-Eu podia. - Respondi apenas.
Tentava desesperadamente secar, com as mãos, as lágrimas que não paravam de cair.
Depois de um momento de silência, minha mãe ainda fez um último comentário:
-Não adianta você ficar chorando porque levou bronca.
Pronto, acabou. Dei o celular a ela e subi, me tranquei em meu quarto. Escrevi cartas de despedida a quem eu achava que merecia e pesquisei métodos de suiícido na internet. Antes de deitar, coloquei um saco na minha cabeça e lacrei a ponta com minha fita crepe, mas minhas mãos, soltas, rasgaram-no quando comecei a asfixiar. Sempre frouxa, sempre medrosa.
Na segurança do meu quarto, chorei desesperadamente, até pegar no sono. Chorar dá sono.
Acordei triste e frustrada, principalmente por ainda estar viva. Fui pra escola a contragosto, praticamente forçada. Quando desci do carro falei tchau pro meu pai, que geralmente já não respondia por estar muito ocupado pegando um cigarro, e hoje que não respondeu mesmo. Fiquei sozinha na escola (a Cal não vai de sexta), e foi difícil. Precisei lutar, me segurar muito pra não perder o controle, pra não cair no choro, e escrevi algumas coisas (talvez depois escreva aqui).
A hora que voltei não quis almoçar e resolvi deitar na minha cama. Minha mãe perguntou o que eu tinha e eu falei que não era nada e pra ela me deixar em paz. Ela falou que eu não posso ficar igual um bichinho acuado só porque levei uma bronca. Se ao menos ela soubesse que é bem pior que isso.

---X---

Eu sei que pode parecer frescura eu não querer fazer o favor. Mas o Eduardo nunca faz nada pra mim, ele só sabe enxer meu saco e me xingar de gorda, rinoceronte, o dia inteiro. Há um tempo atrás ele me deu uma mordida e eu fiquei com o braço quase um mês roxo, e ninguém fez nada, nem bronca ele levou.

O Eduardo tem 15 anos, duas pernas, dois braços e uma boca, e não é retardado nem nada, ele pode muito bem se virar sozinho. Então era sim um favor que meu pai ia fazer pra ele e queria passar pra mim, então o favor era sim pro Eduardo. Quando as minhas coisas, tenho que ir atrás sozinha. Porque o Eduardo não pode ir atrás das dele?
Quando eu precisava ir tirar meu título de eleitor e não sabia onde ficava o lugar, meu pai não quis passar nem na rua pra eu ver onde era. Porque pro Eduardo ele pode fazer as coisas?

Eu também to de saco cheio dessa diferença qeu eles fazem entre nós!

---X---

*Estamos de mudança pra um apartamento novo. Tínhamos gostado mais de um usado que era bem melhor, mas já foi vendido, então teremos que ficar com esse mesmo, e preciso escolher como vai ser meu quarto.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Apresentação

Já faz um tempo que venho pensando em fazer um blog, pois não tenho ninguém com quem dividir meus sentimentos. É muito difícil ter só um pedaço de papel para desabafar.
Minha vida vem se tornando cada dia mais difícil. Eu perdi contato com a maioria das minha antigas amizades e simplesmente não consigo fazer novas na faculdade. Meus pais não me entendem e, pra falar a verdade, não sei se me amam. Sinto que estou sozinha.
Sinto uma tristeza e angústia cada vez maior, eu sinto dor, e ela não é física, eu não sei como explicar.
Às vezes, e ultimamente cada vez mais, penso em suícidio, acabar com tudo isso de uma vez. Cheguei a planejá-lo diversas vezes. Acho que a única coisa que me segura é o medo do fracasso e da dor.
Peço que procurem não me julgar, mas me entender, se for possível. Embora eu me esconda atrás de um nome falso, eu existo de verdade, e o que eu contarei aqui, é minha vida de verdade.